Na manhã de 3 de dezembro de 2025, a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Operação Unha e Carne e prendeu Rodrigo Bacellar. A suspeita é de que ele tenha vazado informações sigilosas da investigação da Operação Zargun ação realizada em setembro, que levou à prisão de TH Joias.
A PF cumpriu um mandado de prisão preventiva contra Bacellar, além de oito mandados de busca e apreensão e mais um de intimação para medidas cautelares. A ordem foi expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A prisão de Bacellar ocorreu dentro de seu gabinete na Alerj, no Centro do Rio. Agentes seguiram no local à procura de provas para a investigação.
Segundo a PF, o suposto vazamento teria “comprometido e causado obstrução” da investigação original, prejudicando o trabalho da Operação Zargun.
O que é a Operação Zargun e o que levou à prisão de TH Joias
A Operação Zargun deflagrada em 3 de setembro de 2025 investigava uma rede de tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, contrabando e corrupção, com atuação de facções criminosas no Rio de Janeiro. Entre os alvos estava o então deputado estadual TH Joias, nome real Thiego Raimundo dos Santos Silva, suspeito de atuar como articulador político da facção CV dentro da Alerj.
Foram cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão além do sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 40 milhões.
As acusações contra TH Joias incluem tráfico de drogas interestadual, comércio ilegal de armas e munições, contrabando de equipamentos antidrone, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa armada.
Segundo a investigação, ele teria usado o mandato para favorecer o CV, inclusive nomeando comparsas para cargos na Alerj.
Após a prisão, TH Joias foi destituído do cargo e perdeu sua imunidade parlamentar.
Relação entre Bacellar e TH Joias
Segundo levantamento da imprensa, Bacellar e TH Joias eram descritos como “unha e carne” ou seja, mantinham proximidade política e pessoal.
Com a reeleição de Bacellar à presidência da Alerj em 2025 (por unanimidade), cresceu entre analistas a percepção de que ele poderia disputar cargos mais altos nos próximos anos.
A suspeita de vazamento de dados sigilosos da Operação Zargun por Bacellar sugere possível conivência ou interesse em proteger TH Joias algo que a PF investiga agora na Unha e Carne.
Implicações para a política e para o combate ao crime organizado no RJ
A prisão de um presidente da Alerj por suspeita de facilitar ações de uma grande facção criminosa com possível vazamento de informações e obstrução de investigações representa um duro golpe na credibilidade das instituições legislativas do estado.
O caso também revela o grau de infiltração de grupos como o CV no aparato público, levantando questionamentos sobre corrupção sistêmica: não se trataria apenas de criminosos isolados, mas de uma rede com alcance político e institucional.
Para o sistema de segurança e para a Justiça, há uma clara mensagem de que nenhum cargo público será blindado mesmo no topo da cúpula legislativa. A ação da PF, com o aval do STF, reforça o compromisso de atacar as conexões entre crime organizado e agentes públicos.
O que se espera agora
A PF seguirá com as medidas de busca, apreensão e interrogatório para reunir provas sobre as supostas comunicações e vazamentos.
O STF, que autorizou os mandados, acompanhará o caso para garantir a legalidade das medidas e possíveis aprofundamentos na investigação.
No âmbito político, a prisão de Bacellar deve provocar mudanças na cúpula da Alerj e possivelmente influenciar futuras disputas eleitorais no Rio de Janeiro.
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