Em uma reviravolta dramática na cena política brasileira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, nesta sexta-feira (21), a prisão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), após a Polícia Federal levantar indícios de que ele teria deixado o Brasil clandestinamente. A informação foi divulgada pela GloboNews.
Contexto da condenação
Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro, foi condenado pela Ação Penal 2668, relacionada à chamada “trama golpista”, a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. Como parte das medidas cautelares, ele foi proibido de sair do país e teve todos os passaportes — nacionais e estrangeiros — recolhidos por ordem do ministro Moraes.
As “suspeitas” de fuga
Segundo apuração, Ramagem teria viajado para os Estados Unidos, especificamente para Miami, sem notificar oficialmente a Câmara dos Deputados, o que gerou a suspeita de uma saída clandestina. Fontes ouvidas pela mídia sugerem que ele pode ter escapado cruzando a fronteira por um país vizinho, para driblar o controle migratório e embarcar rumo aos EUA.
A Câmara, por sua vez, afirmou não ter recebido qualquer comunicação formal sobre uma viagem internacional de Ramagem nem autorizado missão oficial ao exterior.
Reações políticas e mobilização
A bancada do PSOL na Câmara entrou em cena rapidamente: já na quinta-feira (20), os parlamentares pediram à PF a prisão preventiva de Ramagem, argumentando risco concreto de fuga e sugerindo até pedido de extradição, caso ele realmente esteja nos EUA.
Além disso, lideranças do PT, como Lindbergh Farias, protocolaram petições no STF pedindo não apenas a prisão, mas também que a Interpol seja acionada para alertar sobre a situação, e que se estudem medidas para trazer Ramagem de volta ao Brasil e garantir o cumprimento da pena.
Outros pontos de tensão
Ramagem tem tido licença médica na Câmara, com atestados que cobrem períodos entre setembro e dezembro. No entanto, há registros de que ele teria participado de votações presenciais mesmo durante esses atestados, o que alimenta ainda mais as suspeitas de manobra.
A ordem de prisão de Moraes ocorre justamente quando os recursos finais no processo penal se aproximam. Caso seus recursos sejam esgotados, a execução da pena pode começar.
A situação também pode desencadear uma operação de cooperação internacional, dependendo da confirmação da presença de Ramagem nos Estados Unidos.
Importância institucional
Essa decisão marca um momento de forte tensão entre poderes. Um ministro do STF mandando prender um deputado federal condenado — e acusado de tentar sair do país para evitar prisão — ressalta como o sistema de Justiça brasileiro lida com figuras influentes e com histórico político. Há, ainda, repercussão sobre a credibilidade das instituições, a efetividade das medidas cautelares (como a entrega de passaportes) e os mecanismos para garantir que condenados cumpram suas penas.
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