Megaoperações:
O Rio de Janeiro vivenciou nesta quinta-feira um dos dias mais intensos do ano no campo da segurança pública. Duas grandes operações uma conduzida pelas forças estaduais no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e outra pela Polícia Federal, na Baixada Fluminense e no interior do estado ocorreram simultaneamente, movimentaram mais de mil agentes e reacenderam o debate sobre a escalada da violência e da criminalidade no estado.
Grande operação no Complexo do Salgueiro
Ainda de madrugada, cerca de 1.000 policiais militares e civis foram mobilizados para uma megaoperação no Complexo do Salgueiro, comunidade dominada por uma facção que há anos exerce controle armado na região. A ação integra uma investigação iniciada há meses e teve como foco o cumprimento de 44 mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão.
A operação reuniu equipes do BOPE, Batalhão de Choque, CORE, além de unidades táticas de patrulhamento. Blindados e helicópteros deram apoio ao avanço das forças de segurança em áreas dominadas por criminosos fortemente armados.
Confronto e impacto na comunidade
A ofensiva resultou em confrontos ao longo da manhã. Moradores relataram intensos tiroteios em pontos como Vila Verde, Anaia e Campo Novo. Escolas e postos de saúde suspenderam ou reduziram atividades, e a circulação de ônibus foi afetada.
Até a publicação desta reportagem, a Secretaria de Segurança não havia divulgado o balanço completo de presos ou apreensões. Fontes internas confirmam que armas de grosso calibre, munições e equipamentos de comunicação usados pela facção foram encontrados nas buscas.
Justificativas e críticas
Segundo o governo estadual, a operação tem como objetivo “sufocar a capacidade operacional da facção e restabelecer o controle territorial”. Especialistas e organizações sociais, porém, alertam para os impactos recorrentes de operações ostensivas em áreas densamente povoadas. Para eles, ações sem continuidade e sem presença permanente do Estado tendem a oferecer resultados de curto prazo.
PF deflagra Operação Apócrifo
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Apócrifo em Nova Iguaçu e Valença, cumprindo mandados de busca e apreensão relacionados a um esquema de fraudes na Justiça do Trabalho. A investigação apura manipulação de documentos e pagamentos judiciais que teriam beneficiado ilegalmente determinados envolvidos.
Computadores, documentos e arquivos digitais foram apreendidos e serão analisados para identificar o alcance do esquema. A PF não descarta o cumprimento de novos mandados nas próximas fases da investigação.
A operação levanta preocupações sobre o possível envolvimento de servidores e agentes externos em práticas que podem ter provocado prejuízos financeiros ainda não calculados.
Dois fronts de combate, uma mesma pressão por resultados
As duas operações escancaram a complexidade do cenário fluminense: de um lado, o crime organizado armado que controla territórios; de outro, a atuação de grupos especializados em fraudes sofisticadas que atingem instituições públicas.
Enquanto o Salgueiro viveu um dia de confrontos e apreensão, a Operação Apócrifo evidencia que a corrupção e a fraude seguem como desafios igualmente graves para o estado.
Analistas destacam que operações de grande porte, embora necessárias, precisam ser acompanhadas de estratégias contínuas de inteligência, policiamento permanente e ações sociais para evitar que a dinâmica criminal retorne ao mesmo patamar após a saída das forças de segurança.
Conclusão
O Rio termina o dia com saldo de forte mobilização policial e expectativa por novos desdobramentos. Tanto o governo do estado quanto a Polícia Federal prometem divulgar nas próximas horas atualizações sobre presos, apreensões e a continuidade das investigações.
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