Belém (PA) – Em plena COP30, a conferência climática sediada na Amazônia, a estrutura física projetada para abrigar indígenas e demonstrar a capacidade organizacional do governo federal falha de forma constrangedora: uma marquise de concreto desabou durante uma forte chuva. O episódio expõe falhas graves na gestão e planejamento do governo Lula, levantando dúvidas sobre a segurança, credibilidade e compromisso real com a causa ambiental.
O Incidente
De acordo com a Defesa Civil, na segunda-feira (17), a marquise da Escola de Aplicação da UFPA — parte da “Aldeia COP”, onde cerca de 3 mil indígenas estão alojados — caiu. A área atingida era administrativa, e felizmente ninguém se feriu, mas a simbologia do colapso não poderia ser pior: estruturas construídas para representar progresso desabam no primeiro teste de resistência.
Segundo nota do Ministério dos Povos Indígenas, um raio teria atingido uma calha concretada, o que teria provocado o desabamento. No entanto, mais do que causas pontuais, o episódio evidencia falhas estruturais, de engenharia e fiscalização.
Falhas de Planejamento e Pressa nas Obras
Esse episódio não pode ser visto como acidente isolado. Relatórios anteriores apontavam atrasos nas obras para a COP30, e o governo federal, segundo a Casa Civil, já admitiu que muitas instalações só seriam concluídas “às vésperas” do evento. Construir sob pressão para cumprir cronograma, sacrificando rigor técnico ou segurança, é uma postura irresponsável — especialmente para um evento de repercussão mundial.
Além disso, críticos da sociedade civil já haviam observado que o discurso ambicioso de Lula na COP30 precisava “ser concretizado” por ações efetivas. Agora, parte dessa “concretização” literalmente ruiu.
Contradição Entre Discurso e Realidade
No discurso de abertura da COP30, Lula afirmou que a crise climática é uma crise de desigualdade, prometendo que o Brasil lideraria uma transição justa e sustentável. Mas os fatos em Belém mostram que a gestão das obras priorizou aparência e marketing em vez de segurança e durabilidade. Construir para impressionar estrangeiros não pode custar a integridade das pessoas nem pôr em risco os participantes, especialmente povos indígenas.
Organizações climáticas alertavam previamente que era urgente transformar as palavras de Lula em “mecanismos de implementação, financiamento e planos concretos”. Mas a queda da marquise mostra que parte do plano também falhou na execução mais básica — a estrutura física.
Críticas Políticas Já Emergiram
O evento, que deveria ser uma vitrine para o Brasil no cenário global, agora abre brechas para críticas políticas. O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, chamou a COP30 de “vergonha” após vazamentos em outras estruturas durante chuvas, acusando o governo Lula de incompetência. Críticos afirmam que a COP está sendo promovida mais como espetáculo do que como compromisso real com a causa climática.
Consequências e Riscos
Credibilidade abalada: A queda da marquise enfraquece a imagem de competência do governo Lula na organização do evento, algo que em um evento climático global é simbólico — se você constrói mal, sua mensagem perde peso.
Risco para indígenas: Mesmo que o colapso não tenha ferido ninguém, ele mostra que nem todos os espaços da “aldeia indígena” têm garantias mínimas de segurança.
Desconfiança internacional: Investimentos para a COP30 são gigantescos, e os países participantes esperam que o Brasil entregue não só discursos, mas infraestrutura à altura. Esses deslizes minam a confiança.
Desperdício de recursos: Se a estrutura construída não é robusta, parte dos recursos empregados na COP30 pode ser vista como desperdício ou mal planejada.
Conclusão: Muito Marketing, Pouca Substância
A queda da marquise de concreto na Aldeia COP30 não é apenas um acidente — é um símbolo. Ela representa a contradição entre a retórica ambientalista do governo Lula e sua capacidade real de entregar obras seguras e bem planejadas. Quando a infraestrutura que deveria sustentar os debates climáticos desaba, fica claro que algo está muito errado na execução.
Se a COP30 for para deixar um legado, o governo não pode se dar ao luxo de construir apenas para a foto e falhar na segurança. A Amazônia, os povos indígenas e a reputação internacional do Brasil merecem mais do que marketing: merecem responsabilidade.







