Belém (PA) — Um incêndio de grandes proporções atingiu nesta quinta-feira (20/11) um pavilhão da COP 30, na chamada Blue Zone, onde ocorrem as negociações oficiais da conferência do clima. A situação, segundo relatos, causou pânico e levou à evacuação de centenas, talvez milhares, de delegados.
O fogo, que teria começado próximo ao estande da China, rapidamente se alastrou para pavilhões vizinhos, inclusive os destinados a países africanos, jovens e saúde/ciência. Autoridades presentes afirmaram que não houve feridos até o momento. As chamas foram contidas depois de alguns minutos, com a intervenção dos bombeiros.
Falhas evidenciadas
Este incidente evidencia, na visão de muitos observadores, uma completa falta de preparo e organização por parte do governo Lula na realização da COP 30:
1. Planejamento de infraestrutura precário
A COP 30 foi idealizada como um momento de protagonismo do Brasil nas negociações climáticas. Nos discursos de abertura, o presidente Lula e ministros destacaram a importância simbólica do Brasil sediar a conferência na Amazônia. No entanto, o fato de haver um incêndio em um local tão sensível, no coração das negociações, levanta dúvidas sobre o planejamento estrutural e de segurança do evento.
2. Gestão de risco insuficiente
Eventos internacionais desse porte demandam rígidos protocolos de segurança, especialmente em ambientes com grandes instalações temporárias — tendas, estandes, pavilhões externos. O fogo na Blue Zone mostra que talvez não tenha havido uma avaliação adequada de riscos elétricos, evacuação ou prevenção de incêndios.
3. Imagem institucional abalada
A COP era uma oportunidade para o governo Lula reafirmar seu compromisso com a agenda climática global. Um incidente grave como este corrói parte dessa imagem, gerando constrangimento diplomático e dando munição para críticas de que a conferência foi mal planejada.
4. Prioridades questionáveis
Vale lembrar que já havia alertas sobre a pressão para que o Brasil organizasse a COP com excelência, dado o custo financeiro e a visibilidade internacional. A evacuação em massa e os riscos à integridade dos delegados agora colocam em xeque se os recursos investidos no evento (infraestrutura, logística, segurança) foram bem alocados.
5. Responsabilidade política
Mesmo que a causa exata do incêndio ainda não tenha sido oficialmente confirmada, muitos críticos já apontam para a responsabilidade direta do governo federal — que liderou a organização do evento — por falhas operacionais graves.
Reações oficiais e próximas etapas
O ministro do Turismo, Celso Sabino, afirmou que os danos foram controlados e reforçou que, até o momento, não há registro de feridos.
Equipes de segurança cortaram o fornecimento de energia elétrica no setor afetado, medida tomada para evitar o agravamento das chamas.
É esperado que uma investigação seja aberta para apurar as causas do incêndio — entre hipóteses estão falha elétrica e erro humano, segundo fontes no local.
O episódio pode ter impacto direto nas negociações finais da COP, justamente num momento considerado crítico para acordos sobre financiamento climático, transição energética e compensações para países em desenvolvimento.
Conclusão
O incêndio na COP 30 não é apenas um acidente: é um símbolo perturbador de possíveis falhas estruturais e de gestão do governo Lula em um dos eventos mais importantes do cenário climático internacional. Um momento tão simbólico — sediar a COP na Amazônia — agora fica marcado por uma falha que mina a credibilidade do país na diplomacia ambiental.
A falta de preparo pode sair caro não só em reputação, mas também em confiança das delegações internacionais, já que a COP deveria projetar o Brasil como protagonista na agenda climática. Agora, resta ver se o governo responderá à altura: com transparência, investigação rigorosa e correções concretas — ou se tentará minimizar o episódio como mero incidente técnico.
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