Fux alerta para a persistência do racismo estrutural no Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, fez nesta quarta-feira uma das declarações mais diretas do Judiciário sobre desigualdade racial no país. Durante um evento jurídico, ele afirmou: “Dizer que não há racismo estrutural é negar a realidade (…) negros não têm a chance de ocuparem cargos estratégicos.”
A fala ganhou repercussão imediata por tocar em um ponto histórico sensível: a ausência de pessoas negras em posições de liderança, tanto no setor público quanto no privado.
Ministro destaca desafios históricos e desigualdade de oportunidades
Segundo Fux, o racismo estrutural não se limita a episódios isolados, mas está enraizado em práticas sociais e institucionais que ainda restringem o acesso da população negra a espaços de poder. Ele citou indicadores de renda, escolaridade e representatividade como exemplos claros de que o país ainda convive com desigualdades profundas.
Para o ministro, reconhecer essa realidade é essencial para enfrentar o problema. Negá-la, segundo ele, impede qualquer avanço:
“Fechar os olhos para o racismo estrutural é ignorar uma realidade que se impõe diariamente no Brasil.”
Representatividade nos espaços de decisão
A fala de Fux também reacende o debate sobre a baixa presença de negros em cargos de comando. Embora representem mais de metade da população brasileira, pessoas negras ainda ocupam uma parcela minoritária dos postos estratégicos no Executivo, Legislativo, Judiciário e grandes empresas.
Especialistas apontam que essa discrepância é resultado de séculos de desigualdade e exige políticas permanentes de inclusão, como ações afirmativas, programas de incentivo educacional e combate às barreiras sociais.
Judiciário reforça debate sobre igualdade racial
Nos últimos anos, parte do Judiciário tem ampliado discussões e decisões relacionadas ao combate ao racismo e à promoção de direitos fundamentais. A fala de Fux se soma a esse movimento, reforçando que o tema permanece urgente e central para o desenvolvimento social do país.
O discurso do ministro, ao reconhecer abertamente o problema, contribui para fortalecer a agenda de enfrentamento à desigualdade racial — uma pauta que segue longe de ser superada.
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