El Salvador atingiu nesta quinta-feira (13) a marca histórica de 1.060 dias sem registros de homicídios, de acordo com dados divulgados pela Polícia Nacional Civil (PNC). O número reforça a tendência de queda drástica na violência e consolida o país como um dos mais seguros da América Latina — realidade impensável há menos de uma década.
Mudança histórica em um dos países mais violentos do mundo
Durante anos, El Salvador figurou no topo dos rankings de violência global, impulsionado pela atuação de gangues como a MS-13 e a Barrio 18. Em 2015, o país chegou a registrar uma das maiores taxas de assassinatos do planeta.
O cenário começou a mudar com a implementação do Plano de Controle Territorial, seguido, em março de 2022, pelo Régimen de Excepción, um regime de exceção que ampliou os poderes do Estado no combate ao crime organizado. As medidas endureceram a atuação policial e militar nos bairros dominados por gangues e resultaram em dezenas de milhares de prisões.
Nos últimos anos, o governo tem comemorado marcas sucessivas: em agosto, o presidente Nayib Bukele já havia celebrado os primeiros 1.000 dias sem homicídios.
Resultados visíveis e impacto na sociedade
Os efeitos da política de segurança são percebidos no cotidiano. Moradores de regiões antes controladas por facções relatam maior sensação de tranquilidade e retomada de atividades comerciais. A queda da violência também estimula investimentos e fortalece a narrativa de que o país vive uma nova fase de estabilidade.
Em 2024, El Salvador registrou apenas 114 homicídios no ano, um recorde histórico. Para o governo, os números representam o sucesso de uma estratégia “dura, porém necessária” contra o cr
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Críticas e questionamentos ao modelo salvadorenho
Apesar dos resultados expressivos, organizações de direitos humanos e setores da oposição alertam para possíveis abusos cometidos durante o estado de exceção. Entre as principais críticas estão:
prisões em massa sem garantias legais adequadas;
denúncias de detenções arbitrárias de cidadãos sem ligação comprovada com gangues;
superlotação carcerária e relatos de violações de direitos dentro das prisões;
questionamentos sobre a transparência dos dados oficiais de homicídios, já que mortes classificadas como “confrontos” podem não entrar nas estatísticas.
Especialistas também apontam para o risco de dependência prolongada de medidas extraordinárias, o que pode fragilizar instituições democráticas a longo prazo.
Um futuro ainda em construção
O marco de 1.060 dias sem homicídios representa um feito sem precedentes em El Salvador e altera completamente a percepção internacional sobre o país. No entanto, o debate permanece aberto: será possível manter níveis tão baixos de violência sem recorrer ao estado de exceção? Como equilibrar segurança pública e direitos fundamentais?
Enquanto essas respostas não chegam, o governo celebra mais um número expressivo — e o mundo observa de perto o chamado “modelo Bukele”, suas conquistas, limites e impactos sociais.







