Tecoluca, El Salvador — O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) esteve recentemente em El Salvador como parte de uma missão de parlamentares bolsonaristas para conhecer de perto o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), a recém-inaugurada prisão de segurança máxima no país. Sua visita reacendeu debates polêmicos sobre direitos humanos, cooperação internacional em segurança pública e propostas de políticas penais radicalizadas.
O que é o CECOT?
O CECOT é um complexo prisional localizado em Tecoluca, cerca de 75 km a sudeste de San Salvador. Inaugurado em janeiro de 2023 durante uma intensa ofensiva do governo do presidente Nayib Bukele contra gangues, é descrito pelo Estado salvadorenho como uma peça-chave no combate ao crime organizado.
Tem capacidade estimada de 40 mil detentos, embora abrigue atualmente cerca de 15 mil segundo reportagens.
Funciona com rígido regime de segurança: 1.000 agentes penitenciários, 600 soldados e 250 policiais monitoram os presos 24 horas por dia.
Não há visitas familiares ou comunicação externa para os detentos.
As celas são mínimas, sem colchões, apenas beliches metálicos, iluminação constante, banheiros e pias.
Esses elementos têm gerado forte crítica de grupos de direitos humanos, que apontam para riscos de abusos, superlotação e violação de garantias legais.
Motivo da visita de Eduardo Bolsonaro
A ida de Eduardo Bolsonaro a El Salvador tem motivações políticas e estratégicas, segundo ele mesmo e diversos relatos da imprensa:
1. Troca de experiências em segurança pública
Bolsonaro afirmou estar impressionado com o modelo de Bukele. Em reuniões com autoridades salvadorenhas, segundo ele, discutiu como as “leis duras contra facções” e o “controle territorial” foram fundamentais para tornar El Salvador mais seguro.
2. Proposta de cumprimento de pena para brasileiros
Mais controversa é a ideia sugerida por Eduardo de que brasileiros presos nos Estados Unidos, especialmente aqueles suspeitos de ligação com facções como o PCC e o Comando Vermelho, possam cumprir pena no CECOT.
Para isso, ele afirma estar em “primeiros passos” de negociações com aliados norte-americanos para que essas facções sejam reconhecidas como organizações terroristas nos EUA — o que possibilitaria a aplicação de leis como a Alien Enemies Act para deportações.
Também citou a necessidade de analisar tratados de extradição entre Brasil e EUA.
3. Defesa do “modelo Bukele” no Brasil
Eduardo celebra o que chama de “milagre Bukele”: a transformação de um país antes considerado violento em um dos mais seguros da América Latina. Para ele, o Brasil poderia aprender dessa experiência e adotar políticas mais duras de combate ao crime.
Repercussões e críticas
A visita de Eduardo Bolsonaro e suas propostas provocaram repercussão:
Gastos públicos: Reportagens revelam que a viagem de deputados bolsonaristas a El Salvador custou cerca de R$ 96 mil à Câmara dos Deputados.
Direitos humanos: O CECOT já foi alvo de denúncias por parte de juristas. A Associação Americana de Juristas levou à ONU uma denúncia contra as condições da prisão, apontando para graves violações de direitos de prisioneiros, especialmente de venezuelanos deportados para lá.
Modelo autoritário: Para críticos, o modelo penal de Bukele é uma forma de repressão sistemática, com prisões em massa e poucos mecanismos de defesa para os detentos.
Viabilidade legal: A proposta de enviar brasileiros presos nos EUA para cumprir pena no CECOT esbarra em questões jurídicas complexas, como a classificação de organizações criminosas como “terroristas” e os acordos internacionais de extradição. Especialistas apontam que isso não é simples e pode gerar controvérsias diplomáticas e legais.
Conclusão
A visita de Eduardo Bolsonaro ao CECOT representa mais do que um simples intercâmbio: simboliza uma aliança ideológica com o modelo de segurança pública de Nayib Bukele. Ao elogiar a prisão como “cana braba” e propor o envio de presos brasileiros para lá, Eduardo aposta em políticas punitivas extremas como solução para a criminalidade.
Por outro lado, essa proposta desperta preocupação sobre direitos humanos, legalidade internacional e os riscos de replicar um modelo autoritário no Brasil. A discussão está lançada: será que a “fórmula Bukele” é um caminho realista e moralmente aceitável para o Brasil — ou é uma armadilha de imagem, com graves custos sociais?
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