A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS deve abrir, nas próximas semanas, uma nova frente de investigação focada no que parlamentares já estão chamando de “núcleo político” das fraudes que desviaram recursos de aposentadorias e benefícios previdenciários.
Segundo integrantes da comissão, há indícios de que operadores ligados a grupos partidários podem ter atuado para facilitar concessões irregulares, interferir em decisões internas e, em alguns casos, blindar investigados dentro da estrutura do órgão.
Objetivo: identificar quem ganhava e como ganhava
A nova etapa da apuração busca responder a duas perguntas principais:
1. Quais políticos tinham influência direta ou indireta dentro do esquema?
2. O que cada um ganhava em troca dessa interferência?
Segundo relatos de membros da CPMI, a suspeita é que parte das irregularidades não se resumia apenas ao trabalho de servidores e intermediários, mas poderia envolver apadrinhamento político, uso de cargos comissionados e troca de favores eleitorais.
Parlamentares afirmam que a investigação agora deve analisar:
nomeações estratégicas dentro do INSS;
atuação de assessores parlamentares em escritórios de advocacia e despachantes;
vínculos financeiros entre operadores do esquema e gabinetes;
possíveis repasses via doações e intermediários.
Convocações e quebras de sigilo
A CPMI deve votar, já no próximo bloco de deliberações, uma lista com novos convocados — entre eles ex-diretores regionais, ex-assessores e figuras ligadas a mandatos legislativos.
Também estão em estudo quebras de sigilo fiscal e bancário, consideradas essenciais para rastrear movimentações suspeitas que possam revelar o caminho do dinheiro desviado.
Clima de tensão no Congresso
Nos bastidores, líderes partidários demonstram preocupação com o avanço da investigação para o campo político, temendo que o desgaste eleitoral se amplie.
Já os autores dos requerimentos afirmam que a CPMI precisa ir “até o fim”, independentemente de quem possa ser atingido.
“Se houve político envolvido, será descoberto. A previdência do país não pode ser tratada como balcão de negócios”, disse um dos membros da comissão, sob reserva.
Próximos passos
A expectativa é que o relatório parcial seja apresentado ainda neste semestre, já incorporando os resultados dessa nova fase. Caso as suspeitas se confirmem, a CPMI poderá encaminhar pedidos de indiciamento e recomendações ao Ministério Público Federal.







