A disputa eleitoral de 2026 ainda está longe do calendário oficial, mas em Brasília o jogo já começou e com movimentos que revelam muito sobre a lógica de poder do Congresso. Nos bastidores, líderes do Centrão estariam rejeitando a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro como nome da direita para a próxima disputa presidencial, ao mesmo tempo em que intensificam conversas com o presidente Lula.
A decisão, embora não pública, ecoa nos corredores do Congresso e expõe a disputa silenciosa por protagonismo político que deve marcar o próximo ciclo eleitoral.
O desgaste com o bolsonarismo e o cálculo do Centrão
A relação entre o Centrão e o bolsonarismo nunca foi totalmente harmônica. Apesar da aproximação ocorrida durante o governo Bolsonaro, o bloco sempre manteve a postura pragmática que o caracteriza: apoiar quem oferece mais espaço, mais estabilidade e mais projeção dentro do governo.
Hoje, com o ex-presidente inelegível e enfrentando desafios jurídicos, parte do grupo avalia que Flávio Bolsonaro não seria o nome ideal para conduzir uma candidatura competitiva. A leitura é a de que o senador carrega tanto os desgastes herdados do governo do pai quanto a dificuldade de construir pontes que agradam ao bloco.
Para o Centrão, uma candidatura precisa oferecer três pilares fundamentais:
Governabilidade futura, com abertura para negociações;
Viabilidade eleitoral real, que una diferentes setores;
Baixo risco político, algo que o bloco considera indispensável.
Neste momento, Flávio Bolsonaro não atenderia plenamente a essa expectativa ao menos na avaliação interna do grupo.
Lula como alternativa momentânea de estabilidade
Enquanto a direita não se organiza de forma clara, o Centrão faz o que sempre fez: se move de acordo com o vento político. E, por ora, o vento aponta para o Palácio do Planalto.
Lula, apesar de enfrentar críticas nas áreas econômica, fiscal e administrativa, ainda é visto como um fator de estabilidade institucional. Seus governos, historicamente marcados por amplas coalizões, agradam ao bloco que vive do equilíbrio entre influência e cargos estratégicos.
Para líderes do Centrão, Lula oferece vantagens imediatas:
1. Previsibilidade política, o presidente é conhecido pelo estilo negociador;
2. Controle da máquina pública, que garante articulação mais sólida;
3. Maior capacidade de diálogo, mesmo com adversários.
Diante desse cenário, articulações iniciais já começaram, embora ainda longe de uma declaração de apoio formal.
O jogo duplo do Centrão: ninguém fecha porta antes da hora

A aproximação com Lula não significa ruptura com a direita, e muito menos com os bolsonaristas. O Centrão trabalha sempre no campo das possibilidades, mantendo margem de manobra dos dois lados.
O movimento atual cumpre três funções estratégicas:
Pressionar a direita a apresentar um nome mais competitivo que agrade o bloco;
Conquistar mais espaço dentro do governo de Lula, ainda em 2025;
Garantir liberdade para apoiar quem estiver mais forte no momento decisivo da eleição.
Na prática, o Centrão deixa claro que não pretende se amarrar a um projeto enfraquecido. O bloco quer poder e estabilidade e quem oferecer isso leva.
Flávio Bolsonaro: um nome rejeitado ou subestimado?
Embora o Centrão sinalize resistência, a rejeição está longe de ser definitiva. Flávio Bolsonaro mantém relevância política, tem base consolidada no Senado e é um dos nomes mais orgânicos dentro do bolsonarismo após a inelegibilidade do pai.
Além disso, sua rejeição pelos caciques do Centrão pode refletir mais o momento político do que sua capacidade real.
Conclusão:
O Centrão pode estar cometendo um erro ao subestimar Flávio Bolsonaro
Apesar das críticas internas, Flávio Bolsonaro possui fatores que podem crescer até 2026 e que o Centrão pode estar ignorando:
Ele carrega parte do eleitorado fiel ao bolsonarismo, um dos mais mobilizados do país;
Tem experiência política crescente, com atuação legislativa mais madura no Senado;
Pode se apresentar como renovação dentro da direita, diferenciando-se de figuras mais desgastadas;
E tem potencial para construir alianças, caso o cenário force união da oposição.
Em política, o que parece inviável hoje pode se tornar inevitável amanhã.
Se o Centrão fechar as portas cedo demais, corre o risco de ficar contra um nome que, com articulação e crescimento, pode surpreender em 2026.
Flávio Bolsonaro, portanto, não está fora do jogo e pode ser justamente o nome que a direita precisará para enfrentar Lula ou qualquer outra força que o governo lance na disputa.
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