Defesa nega intenção de fuga e explica interação com a tornozeleira
O advogado de Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (27/11) que o ex-presidente nunca teve intenção de fugir e que a interação com a tornozeleira eletrônica ocorreu por suspeita de possível escuta no dispositivo.
Segundo ele, o próprio Bolsonaro comunicou ao setor de monitoramento a anomalia percebida, o que comprovaria total ausência de intenção de evasão.
“Ele nunca pretendeu fugir, tanto que ele mesmo comunicou a equipe que acompanha o monitoramento. Havia uma suspeita de que poderia haver algum dispositivo de escuta.”
“Interagir não é fugir”, diz a defesa
O defensor destacou que mexer na tornozeleira não constitui tentativa de fuga e argumentou que um ato de evasão exigiria uma estrutura complexa, o que não ocorreu.
“Interagir com a tornozeleira não significa que ele queria fugir. Se pretendesse fugir, teria cortado a tornozeleira, não passado um ferro de solda no dispositivo.”
Ele também afirmou que a residência de Bolsonaro não possui rotas de fuga e que sua notoriedade tornaria impossível qualquer tentativa de desaparecer sem ser reconhecido.
Comparação com o caso Collor é usada como referência
Para embasar sua argumentação, o advogado citou o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, cuja tornozeleira permaneceu 36 horas descarregada sem que isso resultasse em prisão preventiva.
“A tornozeleira do presidente Collor ficou descarregada por 36 horas. Ele não foi preso porque ficou evidente que não pretendia fugir. Esse caso deveria ser paradigma para Bolsonaro.”
Collor cumpre prisão domiciliar devido a problemas de saúde, como apneia do sono e Parkinson.
Histórico médico de Bolsonaro reforça argumentos da defesa
A defesa também mencionou as condições de saúde de Jair Bolsonaro como fator decisivo.
O ex-presidente passou por seis cirurgias de grande porte, enfrenta recorrentes obstruções intestinais e estava internado nos Estados Unidos no dia 8 de janeiro devido a complicações médicas.
Segundo o advogado, tais condições tornam “inviável” qualquer hipótese de fuga e deveriam ser consideradas na avaliação das medidas judiciais impostas.
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