Empréstimo recorde busca sanar rombo bilionário e evitar colapso
Neste sábado (29/11/2025), o conselho de administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, o maior já garantido pela União a uma estatal, estado ou município nos últimos 15 anos, para tentar reverter a grave crise financeira pela qual a empresa passa.
O empréstimo será concedido por um consórcio de bancos privados e públicos (entre eles Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra), com a garantia do Tesouro Nacional — que assume o risco de inadimplência, tornando praticamente nulo o risco para os bancos credores.
Dívida acumulada e prejuízos sucessivos motivam socorro financeiro
A estatal enfrenta uma crise de liquidez profunda: nos primeiros três trimestres de 2025, os Correios registraram um prejuízo acumulado de cerca de R$ 6 bilhões, o que se soma a anos consecutivos de resultados negativos desde 2022.
Analistas apontam que o rombo se deve à combinação de queda nas receitas — com o fim do monopólio postal, concorrência expressiva e retração no volume de encomendas — e ao aumento dos custos operacionais, passivos trabalhistas e administrativos.
Empréstimo é parte de plano de reestruturação mais amplo

O crédito aprovado integra um plano mais amplo de reestruturação da empresa que prevê:
- Venda de ativos e imóveis das estatais;
- Fechamento de unidades deficitárias podendo chegar a até 1.000 agências;
- Programa de demissão voluntária (PDV) para reduzir custos com pessoal;
- Revisão de contratos, renegociação de dívidas e corte de despesas administrativas.
Segundo a estatal, o empréstimo é fundamental para garantir liquidez imediata e evitar o colapso da empresa já em 2026 — ano para o qual há previsão de deficit ainda maior, caso não seja aprovado o financiamento.
Garantia da União e risco fiscal reacendem críticas
Embora o empréstimo tenha obtido aval interno, a operação depende agora da aprovação do Tesouro Nacional e de eventual decreto governamental que formalize a garantia da União.
A garantia pública reacende debates no setor político e econômico sobre o risco fiscal e o peso do rombo no orçamento federal: críticos argumentam que o governo estaria transferindo o custo da má gestão da estatal para os cofres públicos.
Por outro lado, defensores da medida afirmam que, sem a intervenção, os Correios poderiam entrar em colapso, comprometendo serviços essenciais de entrega em todo o país, inclusive em municípios do interior e áreas remotas — algo que afetaria milhões de brasileiros e empresas.
Próximos passos e incertezas
Agora, a execução da operação depende da aprovação final pelo Tesouro Nacional. Se liberado, o empréstimo deverá ser desembolsado em parcelas, com início da utilização dos recursos ainda em 2025.
Analistas ressaltam que o sucesso da reestruturação também dependerá de rigor na implementação do plano de ajustes — corte de despesas, modernização da gestão e adaptação da empresa ao novo contexto de mercado. Caso contrário, o alívio financeiro poderá ser temporário.
Para a população, a expectativa é de que os Correios consigam manter os serviços postais universais — uma função social histórica da estatal — sem comprometer severamente o orçamento público. Mas críticos alertam que o risco de onerar o contribuinte continuará enquanto persistir o modelo deficitário.
Leia Também: Justiça Federal manda soltar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entenda o caso e o porquê da decisão
Siga: Alta Cúpula no YouTube







