Lula celebra ação das instituições e diz que “democracia vale para todos”
Ao comentar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o país ontem deu uma lição de democracia ao mundo” e reforçou que “a democracia vale para todos”. Segundo Lula, a decisão demonstra que as instituições brasileiras funcionam e que ninguém estaria acima da lei.
A declaração ocorreu em tom de confiança nas instituições e buscou projetar ao cenário internacional a imagem de que o Brasil atua com rigor na preservação do Estado de Direito.
Críticos lembram que Lula também foi preso e posteriormente solto levantando debates sobre seletividade
Apesar do discurso firme, as falas de Lula geraram reações imediatas. Para muitos opositores, soa contraditório que o presidente exalte a imparcialidade das instituições justamente em um país marcado por episódios controversos em seu próprio percurso jurídico.
Críticos recordam que Lula foi preso em 2018 por corrupção e lavagem de dinheiro, condenado em várias instâncias, mas posteriormente libertado após anos de disputa judicial. Suas sentenças foram anuladas por questões processuais e não por reconhecimento de inocência no mérito dos casos. Isso reabriu o debate sobre “democracia relativa” e possível seletividade do sistema jurídico brasileiro.
Para adversários, a fala atual contrasta com o cenário de então: enquanto Lula hoje diz que “a democracia vale para todos”, muitos consideram que o mesmo sistema que agora prende Bolsonaro foi o que soltou um político condenado e o recolocou na presidência, alimentando a percepção de decisões que oscilam conforme o interesse do momento.
Comparação entre os dois episódios expõe a polarização no país
Quando Lula foi solto em 2019, seus aliados celebraram o que classificaram como reparação histórica e vitória da democracia. Entretanto, setores da sociedade acusaram manipulação judicial, interferência política e leniência com corrupção.
Agora, no caso de Bolsonaro, o movimento é inverso: aliados classificam sua prisão como “perseguição política”, enquanto opositores a veem como cumprimento da lei.
A comparação entre os dois momentos revela como a confiança nas instituições parece oscilar conforme o personagem envolvido — um reflexo direto da intensa polarização que domina a política nacional.
Discurso de Lula busca capital político, mas ignora o histórico recente
Ao afirmar que o Brasil deu uma “lição de democracia”, Lula tenta se colocar como guardião das instituições, mas desconsidera que sua própria trajetória jurídica segue sendo alvo de questionamentos e divergências.
Sua fala, embora forte politicamente, acaba levantando críticas pela falta de autocrítica e pela incapacidade de reconhecer que o sistema que agora ele elogia é o mesmo que foi acusado por parte da população de atuar de forma seletiva ao beneficiá-lo.
No fim, a prisão de Bolsonaro e o discurso de Lula reforçam mais um capítulo da disputa política que domina o país. Para muitos brasileiros, é difícil enxergar uma “lição de democracia” quando decisões judiciais parecem, para cada lado, servir mais à narrativa política do que à total imparcialidade que o Estado de Direito exige.
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