A crise política entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira após o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) anunciar o rompimento definitivo com o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias. A declaração, direta e contundente, expôs ainda mais o desgaste entre parlamentares e o governo Lula.
“Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, afirmou Motta, ao comentar divergências que vinham se acumulando nas últimas semanas. O rompimento ocorre em meio a uma série de atritos envolvendo votações estratégicas, articulações de bastidores e críticas públicas feitas por lideranças petistas.
um racha que amplia a instabilidade
Hugo Motta, que tem papel relevante nas negociações internas da Câmara, vinha manifestando incômodo com posicionamentos de Lindbergh, que, segundo aliados, teria intensificado ataques e pressões sobre parlamentares de partidos do centrão. A gota d’água teria vindo após declarações consideradas “desrespeitosas” por Motta.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que o episódio expõe a dificuldade do governo em consolidar uma base estável no Congresso, especialmente diante do desgaste entre líderes de diferentes siglas. O clima, que já era tenso, piorou com o avanço de pautas sensíveis e com a disputa por protagonismo dentro da própria base governista.
Reação dentro do Congresso
Deputados próximos a Motta classificaram o rompimento como “irreversível” e avaliam que o movimento pode afetar diretamente votações futuras de interesse do Planalto. Já aliados de Lindbergh afirmam que o parlamentar apenas reagiu a críticas injustas e que a relação com setores do centrão “nunca foi simples”.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, acompanha o caso de perto, já que o episódio aumenta a sensação de enfraquecimento do governo na articulação política.
Pressão sobre o governo Lula
Para analistas, o conflito evidencia a dificuldade do governo Lula em reagrupar sua base e administrar conflitos internos entre partidos aliados. Em um momento em que o Executivo tenta avançar com medidas econômicas e recompor sua imagem, a crise no Legislativo surge como mais um obstáculo.
A expectativa agora é observar se o Planalto irá intervir para tentar conter o desgaste ou se permitirá que o conflito siga seu curso natural, com possíveis impactos na governabilidade.
Enquanto isso, o rompimento de Hugo Motta reforça a mensagem de que a relação entre parte expressiva da Câmara e o governo está longe de ser pacificada — e que novos confrontos podem surgir a qualquer momento.
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