Comunicado da agência americana indica risco em todas as altitudes sobre a FIR de Maiquetía, ao mesmo tempo que cresce a pressão militar dos EUA na região.
Caracas / Washington: Em um episódio carregado de tensão geopolítica, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu um alerta de segurança inédito para toda a Região de Informação de Voo (FIR) de Maiquetía, controlada pela Venezuela. No comunicado, a agência recomenda que aviões civis “extremem a cautela” em todas as altitudes, desde sobrevoo até operações de decolagem, pouso e até em solo, citando um “agravamento da situação de segurança” e um “aumento da atividade militar” na Venezuela.
Segundo o aviso NOTAM identificado como A0012/25, divulgado pela FAA, operadoras de voos americanos devem fornecer um aviso prévio mínimo de 72 horas sobre qualquer plano de entrar na FIR de Maiquetía, incluindo detalhes específicos da rota. Além disso, tripulações são orientadas a relatar imediatamente qualquer incidente de segurança ou observação anômala à FAA. O alerta tem validade até 19 de fevereiro de 2026.
Por que isso é preocupante, e por que pode haver um risco real de operação militar

1. Presença Militar Americana na Região
Analistas apontam que esse não é um simples aviso de rotina. Nos últimos meses, os EUA reforçaram consideravelmente sua presença militar no Caribe. Áudios e imagens de veículos navais, porta-aviões, caças stealth F-35 e bombardeiros B-52 foram vistos próximos à costa venezuelana, o que sugere uma estratégia de dissuasão bem mais robusta.
2. Exercícios e Demonstrações de Força
Há registro de voos estratégicos perto do território venezuelano. Por exemplo, bombardeiros B-52 realizaram trajetórias circulares sobre a Região de Informação de Voo de Maiquetía, em manobras classificadas oficialmente como “treinamento”, mas interpretadas por especialistas como demonstração de poder.
3. Acusações de Provocação por Caracas
Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que caças F-35 norte-americanos foram detectados próximos à costa da Venezuela, chamando a ação de “provocação militar”. Se essas movimentações forem confirmadas, a situação poderia escalar rapidamente para um confronto aéreo ou uma crise diplomática pesada.
4. Operações de Luta ao Narcotráfico
A retórica oficial dos EUA vem justificando parte desse movimento militar sob a égide do combate ao narcotráfico. De fato, desde setembro de 2025, os Estados Unidos têm promovido ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico que, segundo Washington, estariam vinculadas a redes de tráfico ligadas à Venezuela. Porém, críticos apontam que isso pode mascarar um objetivo mais ambicioso de pressão sobre o regime de Nicolás Maduro, incluindo uma possível mudança de regime.
5. Risco para a Aviação Civil
Com o alerta da FAA, companhias aéreas internacionais são forçadas a repensar rotas, principalmente aquelas que cruzam a FIR de Maiquetía. O risco declarado “em todas as altitudes” torna a operação civil extremamente delicada, aumentando a probabilidade de interrupções, desvios ou cancelamentos de voos que tradicionalmente usavam aquela zona aérea.
E agora? Quais são os cenários possíveis

Cenário de contenção: Os EUA mantêm a pressão militar, mas apenas como dissuasão. O alerta serviria para reduzir riscos a civis enquanto sinaliza força para Caracas, sem necessariamente planejar uma invasão.
Cenário de negociação: A mobilização militar, somada ao alerta aéreo, poderia ser usada como moeda de barganha para forçar Maduro a aceitar alguma transição ou acordo diplomático, especialmente se combinado a outras sanções ou medidas políticas.
Cenário de escalada: Uma grande operação militar não pode ser descartada. Se os EUA decidirem efetuar ataques seletivos, operações especiais ou até mobilizar forças terrestres, o risco seria elevado. A comparação com manobras anteriores (como voos de bombardeiros B-52) e a mobilização naval dão corpo a essa hipótese entre analistas.
Risco de crise aérea: Se houver incidentes com aeronaves civis (por exemplo, interferência, falhas de navegação ou até hostilidades), isso pode desencadear uma crise internacional entre companhias aéreas, governos e entidades de aviação.
Reações prováveis
Venezuela: Espera-se que Maduro e seus aliados denunciem o movimento como “agressão imperialista” e reforcem alertas de defesa aérea. Podem posicionar mísseis, realizar exercícios militares próprios ou mobilizar reservas para mostrar força interna.
Estados Unidos: A Casa Branca e o Pentágono devem reforçar a justificativa da operação como parte de combate ao narcotráfico e proteção da segurança hemisférica. Ao mesmo tempo, podem minimizar a retórica de invasão para evitar um confronto direto.
Companhias aéreas: Grandes transportadoras internacionais vão reavaliar rotas. A exigência do aviso prévio de 72 horas e o risco declarado em todas as altitudes podem levar algumas a evitar completamente o traçado sobre a FIR de Maiquetía.
Comunidade internacional: Países da América Latina, blocos regionais e organizações internacionais vão monitorar a situação de perto. Um conflito ou operação militar pode destabilizar ainda mais a região e desencadear preocupações diplomáticas.
Conclusão
O alerta da FAA não é apenas um comunicado técnico para a aviação comercial: é um sinal luminoso de alto grau de alerta geopolítico. A combinação de mobilização militar dos Estados Unidos, indicadores de possível confronto e riscos elevados para voos civis aponta para um momento crítico — em que uma operação militar de grande impacto não pode ser descartada. Resta saber se Washington busca apenas pressionar Maduro ou se está preparado para ir ainda mais longe, com consequências imprevisíveis para a estabilidade regional e para a segurança aérea.
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