A fila de espera para entrar no Bolsa Família voltou a crescer e alcançou 987,6 mil famílias em novembro de 2025, o maior patamar desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Crescimento da fila: mais de cinco meses de alta
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, as pessoas habilitadas — que já entregaram toda a documentação necessária — vêm enfrentando um represamento nas concessões do auxílio. Essa tendência de elevação se manteve por cinco meses seguidos, evidenciando uma paralisação no ritmo de inclusão de novos beneficiários.
Orçamento apertado e cortes para fechar as contas
Um dos fatores por trás do represamento é a pressão orçamentária. Até novembro de 2025, o programa já consumiu R$ 146,5 bilhões, segundo o painel Siga Brasil do Senado. O orçamento autorizado para todo o ano é de R$ 158,6 bilhões, restando apenas cerca de R$ 12,1 bilhões para cobrir os pagamentos de dezembro — uma quantia insuficiente para manter o ritmo atual.
Para economizar, o governo vem restringindo novas inclusões e pode estender a fila para o ano seguinte, segundo analistas.
Beneficiários em queda
Atualmente, o programa atende 18,7 milhões de famílias, número mais baixo desde julho de 2022. Desde que Lula retornou à presidência, cerca de 2,9 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família, segundo dados oficiais.
Embora parte dessa saída se deva a pessoas que melhoraram de renda, levantamentos apontam outras razões preocupantes: exclusões por suspeita de fraude e pessoas que entregaram toda a documentação, mas continuam privadas do benefício.
Pressão política e custo social
A decisão de segurar as concessões pode ter alto custo político, especialmente para Lula, cujo eleitorado historicamente inclui muitas famílias de baixa renda.
Grupos de beneficiários e entidades de assistência social já apontam para o risco de que muitas famílias vulneráveis passem meses sem receber ajuda fundamental, principalmente agora, no fim de ano.
Resposta do governo
Questionado, o Ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias, afirmou que a fila faz parte de um processo rotineiro de atualização do Cadastro Único, com averiguações anuais para validar os dados das famílias.
Segundo a pasta, esses processos não têm o objetivo de cortar custos, mas sim “assegurar a correta aplicação dos benefícios e a eficiência na gestão”.
No entanto, o ministério ainda não explicou como pretende lidar com os poucos recursos restantes para dezembro nem detalhou se pedirá crédito suplementar ou realocará verbas de outras áreas para atender a demanda.
Impacto eleitoral
Especialistas apontam que a interrupção na expansão do Bolsa Família pode se transformar em problema para o Planalto, especialmente em um ano pré-eleitoral. Se a fila continuar crescendo ou mesmo permanecer nas atuais condições, cerca de 1 milhão de famílias à espera podem enfrentar dificuldades financeiras especialmente graves, já que muitas têm renda per capita de até R$ 218 por mês.
Conclusão
O governo Lula enfrenta um dilema: manter o programa Bolsa Família dentro do limite orçamentário ou liberar novas inclusões, correndo o risco de estourar o teto de gastos. Enquanto isso, quase um milhão de famílias aguardam na fila, sem perspectiva clara de quando começarão a receber — e podem viver um fim de ano de incerteza.
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