A afirmação vem junto com a assinatura de um plano de expansão dos assentamentos na Cisjordânia, reacendendo tensões diplomáticas e preocupações internacionais.
Jerusalém: O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, provocou forte reação internacional ao declarar que “não haverá um Estado palestino” durante uma cerimônia nesta quinta-feira (11), ao assinar um polêmico plano de expansão para assentamentos judaicos na Cisjordânia.
O que foi anunciado
Netanyahu visitou o assentamento de Maale Adumim, próximo a Jerusalém Oriental, para formalizar a ampliação de uma megacolônia na chamada área E1 — região estratégica que pode fragmentar o território palestino.
Durante o discurso, ele afirmou:
> “Dissemos que não haveria um Estado palestino e, sem dúvida, não haverá um Estado palestino!”
E completou: “Esta terra nos pertence. Vamos salvaguardar nossa herança, nossa terra e nossa segurança.”
O projeto E1, que recebeu aprovação final de uma comissão do Ministério da Defesa, prevê a construção de 3.400 novas moradias, ampliação das infraestruturas como estradas e outras obras públicas. Netanyahu disse que a população de Maale Adumim deverá crescer de 40 mil para 70 mil moradores nos próximos cinco anos.
Contexto político e diplomático
A fala de Netanyahu ocorre em um momento de crescente isolamento diplomático para Israel. Vários países ocidentais, entre eles Reino Unido, Canadá, Austrália, têm reconhecido o Estado palestino, o que, segundo ele, representa uma “recompensa ao terrorismo”.
> “Nenhum Estado palestino será estabelecido a oeste do rio Jordão”, afirmou o premiê, indicando que rejeita completamente a criação de um Estado palestino nos territórios da Cisjordânia.
Netanyahu também defendeu a expansão dos assentamentos judaicos. Ele afirmou que “dobramos o número de assentamentos na Judeia e Samaria (Cisjordânia)” e prometeu continuar nessa direção.
Reações e impacto
A declaração tem grande potencial para agravar ainda mais as tensões entre Israel e a comunidade internacional, especialmente com aqueles países que decidiram reconhecer a Palestina.
Além disso, para os palestinos e defensores da solução de dois Estados, a expansão dos assentamentos e o discurso de Netanyahu são interpretados como um golpe definitivo à possibilidade de uma Palestina independente.
Por outro lado, para o governo israelense e seus apoiadores mais nacionalistas, as ações visam garantir “segurança” e “soberania” sobre territórios que, segundo eles, são parte inseparável da herança de Israel.
Desafios para o futuro
Fragmentação territorial: A expansão em E1 pode dividir a Cisjordânia em dois enclave, prejudicando a viabilidade de qualquer Estado palestino futuro.
Isolamento diplomático: A retórica de Netanyahu pode aprofundar a divergência com aliados tradicionais na comunidade internacional que ainda veem a solução de dois Estados como o caminho para a paz.
Tensão interna e segurança: A consolidação das colônias pode provocar mais atrito entre israelenses e palestinos, elevando riscos de violência.
Negociações futuras: As posições adotadas por Netanyahu tornam mais difícil a retomada de negociações pacíficas, já que descartam explicitamente a soberania palestina sobre parte significativa do território reivindicado.
Conclusão
A declaração de Netanyahu marcando o fim das esperanças para um Estado palestino reflete não apenas uma visão política rígida, mas também um plano concreto de expansão territorial que pode alterar profundamente a geopolítica da região. O anúncio reacende antigas feridas e levanta dúvidas insistentes sobre o futuro da solução de dois Estados no Oriente Médio.
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