Brasília, 18 de novembro de 2025 – O Partido Liberal (PL), sigla que tem Jair Bolsonaro como uma de suas principais referências, prepara uma ampla campanha nacional para pressionar contra a prisão domiciliar do ex-presidente. A estratégia, segundo dirigentes da legenda, envolverá protestos de rua e uma forte articulação nas redes sociais para reforçar a narrativa de que Bolsonaro foi detido “injustamente” e precisa do apoio popular.
Objetivos da campanha
De acordo com fontes ouvidas pela CNN Brasil, o PL pretende usar a mobilização para:
1. Proteger a imagem de Bolsonaro — reforçando que ele é vítima de perseguição política e não de uma condenação legítima.
2. Mobilizar parlamentares aliados — para construir uma frente no Congresso que pressione pela aprovação do PL da Anistia, projeto que beneficiaria Bolsonaro e outras figuras ligadas às acusações de tentativa de golpe.
3. Ampliar o discurso de unidade nacional — argumentando que só ele tem “capacidade de unir o Brasil” diante do que o partido chama de crise institucional.
Ações previstas
No plano imediato, o PL discute:
Protestos coordenados em diferentes capitais, com caravanas bolsonaristas, comícios e manifestantes vestidos com símbolos da sua gestão.
Produção de conteúdo digital: vídeos, posts e lives com parlamentares bolsonaristas defendendo o ex-presidente e atacando a decisão do Supremo.
Pressão institucional: além de manifestações nas ruas, o partido pretende exercer influência sobre prefeitos, governadores e parlamentares para que apoiem a causa nos seus estados.
Dirigentes do PL dizem que a mobilização tem duas frentes: política e simbólica. Politicamente, para pressionar o Congresso sobre a anistia e outras pautas; simbolicamente, para manter Bolsonaro no centro da narrativa pública, valorizando-o como líder em meio à crise.
Cenário legal e judicial
Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto. Com a publicação do acórdão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), abriu-se um prazo para que sua defesa apresente novos recursos, como embargos de declaração. No entanto, há risco de que o ministro relator, Alexandre de Moraes, classifique esses recursos como “protelatórios” e exija o cumprimento imediato da prisão.
Além disso, a pressão política por meio da campanha surge em um momento delicado para o PL: o partido aposta na anistia para resguardar aliados e reconsolidar sua base eleitoral.
Reação de aliados e críticos
Aliados de Bolsonaro veem a campanha como uma forma legítima de reação popular e institucional: para eles, a prisão é uma afronta à democracia e ao direito de Bolsonaro de participar da vida pública.
Críticos, por outro lado, interpretam a manobra como uma tentativa de insubordinar instituições democráticas: argumentam que defender um líder condenado por crimes graves sob o pretexto de “perseguição política” pode minar os pilares do Judiciário.
No Congresso, opositores da anistia alertam que o PL tenta transformar a campanha de defesa num mecanismo para alterar as regras da responsabilização penal, o que poderia gerar impunidade para figuras envolvidas em tentativas de golpe.
Impacto político
Para o PL, a campanha nacional é uma aposta estratégica de longo prazo. Se bem-sucedida, pode:
Consolidar Bolsonaro como líder simbólico da direita.
Fortalecer a bandeira da anistia e conseguir tração no Congresso.
Recrutar novos simpatizantes e ativistas políticos para sustentar futuras candidaturas, incluindo uma eventual retomada de poder por aliados bolsonaristas.
Por outro lado, há riscos consideráveis: manifestações de massa podem atrair repressão judicial ou institucional, e a narrativa de “perseguição” pode não mobilizar amplamente além do núcleo bolsonarista.
Considerações finais
A iniciativa do PL evidencia que, mesmo fora do cargo, Jair Bolsonaro permanece uma figura central na disputa política brasileira. A campanha não é apenas uma reação à sua prisão domiciliar, mas também uma estratégia para reposicionar o bolsonarismo como força política ativa e organizada. Como esse esforço será recebido pela população, pelas instituições e pelo Congresso será um teste importante para o futuro da polarização no Brasil.







