O senador Eduardo Girão (Novo-CE) voltou a chamar atenção, nesta terça-feira (18), para um ponto que tem gerado desconforto entre parlamentares e assessores técnicos no Congresso: o agendamento simultâneo da CPI do Crime Organizado e da CPMI do INSS. As duas comissões, consideradas cruciais para o combate a crimes estruturados no país, foram marcadas para o mesmo horário — uma decisão que, para Girão, “não é coincidência” e pode prejudicar o andamento das apurações.
Segundo o senador, a sobreposição compromete a participação plena dos parlamentares, que se veem obrigados a escolher qual colegiado acompanhar. “A quem interessa dividir essa audiência, essa atenção? Estamos aqui prontos para o bom combate”, afirmou. Girão defende que o país precisa de investigações robustas e sem qualquer tipo de interferência que possa reduzir a visibilidade ou a efetividade de cada comissão.
A CPI do Crime Organizado, da qual Girão é um dos mais assíduos participantes, apura a atuação de facções em diversos estados, seus métodos de expansão e possíveis ligações com agentes públicos. Trata-se de um trabalho considerado essencial num momento em que organizações criminosas ampliam suas operações e influência territorial.
Já a CPMI do INSS investiga fraudes previdenciárias que podem ter causado prejuízos bilionários aos cofres públicos. O colegiado tenta identificar responsáveis, rastrear esquemas organizados e propor medidas para fortalecer os mecanismos de controle da Previdência Social.
Para Girão, colocar duas comissões tão relevantes para o país em conflito direto de horário enfraquece o debate. Ele sustenta que decisões assim ferem a transparência e prejudicam o controle institucional. “O Brasil espera firmeza e seriedade. Não podemos aceitar manobras que tirem a força dessas investigações”, declarou.
Nos bastidores do Senado, alguns parlamentares concordam, ainda que discretamente, com a leitura de Girão. Há quem veja a coincidência de horários como uma estratégia política voltada a diluir desgastes ou diminuir o impacto de testemunhos e revelações que possam ocorrer durante as sessões. Ao dividir a atenção da imprensa e da própria Casa, determinadas agendas ganhariam menos repercussão pública.
Girão, no entanto, afirma que continuará pressionando pela separação das agendas. Para ele, não se trata de uma disputa de protagonismo entre comissões, mas de garantir que o Congresso atue com responsabilidade e sem abrir brechas para suspeitas de articulações que enfraqueçam o trabalho investigativo. O senador ressalta que, em tese, nada impede que ambas as comissões tenham calendário ajustado — e que isso é uma decisão interna, passível de revisão imediata pelas mesas diretoras.
Até o momento, não houve pronunciamento oficial sobre um possível ajuste no cronograma. Enquanto isso, Girão promete manter a cobrança por mais clareza e comprometimento. “Estamos aqui prontos para o bom combate”, reafirmou, sinalizando que continuará atento às movimentações que possam, direta ou indiretamente, esvaziar o impacto das investigações em curso.
Comentário
O posicionamento de Girão encontra ressonância entre aqueles que defendem maior transparência no processo legislativo. A crítica, embora firme, toca em um ponto sensível: a eficiência das CPIs e CPMIs depende justamente do acompanhamento integral de seus membros. Em um cenário de investigações que tratam tanto do avanço de facções quanto de prejuízos bilionários à Previdência, a cobrança por clareza na agenda pode ser vista como uma medida pela integridade institucional — algo que, na prática, contribui para fortalecer o trabalho das comissões.
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