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Controvérsia em Paris: Evento de moda com Janja custou R$ 344 mil dos cofres públicos

Em junho deste ano, um evento de moda realizado em Paris gerou um intenso debate político no Brasil. Batizado de “Brasil, Criativo por Natureza”, o desfile contou com a presença da primeira-dama Rosângela “Janja” Lula da Silva, ao lado da primeira-dama da França, Brigitte Macron. O montante gasto para promover a ação foi de R$ 344,4 mil, segundo confirmação oficial do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A festa da moda e da diplomacia

Realizado no imponente restaurante Café de l’Homme, com vista direta para a Torre Eiffel, o evento reuniu cinco estilistas brasileiros: Ângela Brito, Flávia Aranha, Marina Bitu, Rafaella Caniello e Celina Hissa. A ideia, segundo a ApexBrasil — agência responsável pela promoção de empresas brasileiras no exterior —, era promover a moda nacional como símbolo de criatividade e inovação cultural.

Além da passarela, a ocasião teve um toque gastronômico refinado: o cardápio foi assinado pela chef Morena Leite, do restaurante Capim Santo, conhecida por já ter atendido chefes de estado. O evento, embora com tom diplomático, causou críticas por ser visto como uma ação custosa em tempos de austeridade.

Resposta oficial e prestação de contas

A revelação do valor de R$ 344,462,40 foi feita após requisição formal do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que questionou os números por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo o MDIC, esse valor refere-se especificamente ao desfile, enquanto toda a missão brasileira à França — que incluiu logística, agenda institucional e outros compromissos — somou R$ 2,15 milhões aos cofres públicos.

A própria ApexBrasil confirmou que foi a responsável pela execução financeira do evento. No entanto, cabem questionamentos sobre transparência: de acordo com reportagem do Jornal da Cidade Online, a agência demorou a responder a pedidos de informação e chegou a descumprir prazos legais para repassar dados à LAI.

Críticas e contrapontos

Críticos veem o evento como um uso simbólico, mas caro, de recursos públicos. Para muitos, é difícil justificar uma ação de glamour em Paris quando as demandas sociais internas são urgentes. A despesa, segundo opositores, poderia ter sido economizada ou redirecionada para políticas mais palpáveis, como saúde ou educação.

Por outro lado, defensores argumentam que se trata de “diplomacia cultural”: promover estilistas brasileiros no exterior fortalece a imagem do país como polo criativo e pode gerar negócios para a indústria da moda. A iniciativa, para eles, reforça laços internacionais e abre mercados para talentos nacionais.

Mesmo assim, a falta de detalhamento dos custos — por exemplo, quanto foi reservado para produção, estrutura, transporte, segurança — alimenta desconfiança. Para muitos cidadãos, saber que mais de R$ 340 mil foram usados para um desfile gera desconforto, especialmente em um país marcado por desigualdades profundas.

Estimativas altíssimas e outras versões

Enquanto o MDIC aponta os R$ 344 mil, algumas estimativas independentes sugerem que os valores possam ter sido ainda mais elevados. O historiador Arthur Schreiber, por exemplo, estimou que o evento tenha custado cerca de R$ 1,5 milhão. Segundo ele, seriam incluídos gastos como produção (montagem da passarela, luz e som), viagens e hospedagem para estilistas, serviço de gastronomia, segurança, maquiagem, estafe e marketing.

Se sua estimativa estiver correta, isso ampliaria o debate: não seria apenas um desfile glamouroso, mas possivelmente uma operação midiática robusta, com infraestrutura sofisticada e visibilidade internacional, financiada com recursos públicos.

O pano de fundo institucional

O custo de R$ 344,4 mil para o desfile é apenas parte de um panorama mais amplo. A missão oficial à França, segundo o governo, totalizou R$ 2,15 milhões — um valor que engloba diversos compromissos e agendas institucionais. Somado a isso, há outros elementos de gastos públicos na mesma viagem: por exemplo, reportagens revelaram que a viagem de Janja a Paris também teve diárias que ultrapassaram R$ 18 mil para sua comitiva.

Adicionalmente, há reportagens sobre a hospedagem de alto luxo do casal presidencial na capital francesa, com valores que também chamam atenção e reforçam as críticas sobre o gasto público durante a missão oficial.

Reflexão e desdobramentos

A repercussão nas redes e na imprensa mostra que o episódio do desfile com Janja em Paris pode ter impacto político relevante. Para a oposição, é um símbolo de uso excessivo de recursos em iniciativas que beiram o espetáculo e a autopromoção. Para apoiadores, é uma ação estratégica de soft power cultural.

Além disso, a controvérsia reforça a necessidade de maior transparência no uso de verbas públicas para ações de diplomacia cultural. Mesmo que iniciativas desse tipo possam gerar ganhos simbólicos ou econômicos no exterior, muitos cidadãos exigem prestação de contas detalhada — não apenas números globais, mas planilhas que mostrem como cada centavo foi gasto.

Há também o risco reputacional para o governo: críticas à ostentação e ao uso de recursos públicos podem afetar a imagem da Presidência, especialmente em um cenário de alta desigualdade social no país.

Conclusão

O evento de moda em Paris com Janja, apesar de ter sido concebido como uma vitrine para a criatividade brasileira, se transformou em símbolo de uma tensão entre diplomacia cultural e responsabilidade fiscal. O gasto de R$ 344,4 mil, confirmado pelo Ministério da Indústria, reforça a necessidade de monitoramento e debate público sobre como o Brasil investe em imagem internacional — especialmente quando há vozes que questionam se esse tipo de iniciativa representa o melhor uso possível dos recursos do contribuinte.

No fim, a pergunta que permanece é: até que ponto a promoção cultural na fronteira global justifica sacrifícios ou desconfortos em casa? E qual o papel real de Janja, enquanto figura pública, nessa engrenagem de diplomacia e espetáculo?

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Daniel Sousa

Fundador do Alta Cúpula, dedico meu trabalho a trazer notícias e análises sobre política, sociedade e os principais acontecimentos do Brasil. Meu compromisso é entregar informação com responsabilidade, clareza e respeito ao leitor.

Daniel Sousa

Fundador do Alta Cúpula, dedico meu trabalho a trazer notícias e análises sobre política, sociedade e os principais acontecimentos do Brasil. Meu compromisso é entregar informação com responsabilidade, clareza e respeito ao leitor.

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