Aumento de apenas R$ 18:
Lula concede reajuste de apenas R$ 18 aos professores e aprofunda crise de credibilidade na educação
O anúncio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder um reajuste salarial de apenas R$ 18 aos professores escancarou, mais uma vez, o abismo entre o discurso oficial de valorização da educação e a prática efetiva adotada pelo Palácio do Planalto. O aumento, irrisório diante da inflação e das perdas acumuladas ao longo dos últimos anos, foi recebido pela categoria como um gesto simbólico de desprestígio ao magistério brasileiro.
Na prática, o reajuste não representa ganho real algum. Ao contrário, funciona quase como uma provocação para profissionais que lidam diariamente com salas superlotadas, estruturas precárias, violência escolar e uma carga de trabalho cada vez maior. Em muitos casos, o valor anunciado sequer cobre o aumento mensal do transporte público ou da cesta básica, o que evidencia o distanciamento do governo em relação à realidade enfrentada pelos educadores.
O contraste entre a retórica e a realidade chama atenção. Durante a campanha eleitoral e em discursos oficiais, Lula repetiu inúmeras vezes que a educação seria prioridade absoluta de seu governo. No entanto, quando chega o momento de traduzir a promessa em ações concretas, o que se vê é um reajuste quase simbólico, incapaz de recompor perdas inflacionárias e muito distante de qualquer política efetiva de valorização profissional.
A justificativa apresentada pelo governo a necessidade de responsabilidade fiscal e contenção de gastos soa frágil diante de outras decisões orçamentárias que não enfrentam o mesmo rigor. Para críticos, o corte ou a limitação de recursos na educação revela uma escolha política clara, na qual o discurso social serve mais como ferramenta de marketing do que como compromisso real.
Especialistas em políticas públicas alertam que a desvalorização salarial compromete diretamente a qualidade do ensino. Salários baixos afastam novos profissionais da carreira, aumentam a evasão de professores experientes e enfraquecem o sistema educacional como um todo. Não por acaso, o Brasil enfrenta dificuldades históricas para atrair talentos para o magistério, cenário que tende a se agravar com medidas como essa.
Além disso, o reajuste de R$ 18 evidencia a falta de sensibilidade do governo em relação ao papel estratégico do professor na formação social e econômica do país. Em um contexto de desafios educacionais profundos, como baixos índices de aprendizagem e desigualdade regional, a resposta do Executivo se limita a um aumento que não altera, em absolutamente nada, a realidade financeira da categoria.
A reação de sindicatos e entidades representativas foi imediata. Para eles, o reajuste representa mais um capítulo da desvalorização crônica do magistério, agora sob um governo que se apresenta como defensor das causas sociais. O sentimento predominante entre os professores é o de frustração, acompanhado pela percepção de que a educação volta a ser tratada como discurso conveniente, mas não como prioridade concreta.
Ao final, o aumento de apenas R$ 18 não é apenas um número. Ele se transforma em símbolo de uma política pública desconectada da realidade e de uma promessa que, até aqui, permanece no papel. Para muitos educadores, o recado foi claro: apesar das palavras bonitas, a valorização do professor continua sendo adiada.ㅤ
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