Empresas sob suspeita de lavagem de dinheiro do PCC:
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Um grupo formado por 13 empresas investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) firmou ao menos 66 contratos com 11 prefeituras do estado de São Paulo nos últimos quatro anos, segundo informações obtidas a partir de investigações policiais e registros oficiais de contratações públicas.
As apurações indicam que as empresas teriam sido utilizadas para inserir recursos de origem criminosa no sistema financeiro formal, por meio de contratos com o poder público municipal. Os acordos envolvem diferentes áreas da administração, como fornecimento de serviços, locações, materiais e soluções tecnológicas, o que, de acordo com os investigadores, contribuiu para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.
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De acordo com os levantamentos, os contratos foram firmados entre 2021 e 2024 e, somados a termos aditivos, movimentaram centenas de milhões de reais em recursos públicos. As cidades envolvidas estão distribuídas em diferentes regiões do estado, com destaque para municípios da Região Metropolitana de São Paulo, que concentram parte expressiva dos valores contratados.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, no âmbito de uma operação que apura um amplo esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio associado à facção criminosa. Segundo os investigadores, as empresas suspeitas operavam em ramos variados, o que dificultava a identificação imediata de vínculos entre elas e o crime organizado.
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Relatórios policiais apontam que o esquema utilizava mecanismos como a mescla de recursos lícitos e ilícitos, transferências sucessivas entre empresas do mesmo grupo e contratos públicos como forma de justificar a entrada de grandes quantias de dinheiro nas contas das companhias investigadas. O objetivo seria diluir a origem criminosa dos valores e reduzir o risco de detecção pelos órgãos de controle.
No curso da investigação, a Justiça autorizou bloqueios de bens e valores, além da apreensão de imóveis, veículos e ativos financeiros ligados aos suspeitos. As autoridades avaliam que o esquema pode ter movimentado cifras bilionárias ao longo dos anos, não apenas por meio de contratos públicos, mas também com atuação no setor privado.
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Procuradas, algumas prefeituras afirmaram que os contratos foram firmados por meio de processos licitatórios regulares, seguindo a legislação vigente à época, e que não tinham conhecimento prévio de eventuais ligações das empresas com atividades criminosas. As administrações municipais informaram ainda que aguardam comunicações oficiais das autoridades para adoção de medidas cabíveis.
As empresas citadas na investigação, por sua vez, negam irregularidades e afirmam que ainda não tiveram acesso integral aos autos, que tramitam sob segredo de Justiça. Em manifestações preliminares, representantes legais sustentam que as atividades foram exercidas dentro da legalidade e que irão colaborar com as investigações.
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O caso reacende o debate sobre a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle e fiscalização em contratações públicas, especialmente em contratos de alto valor e com empresas que atuam simultaneamente em diversos municípios. Especialistas apontam que o fortalecimento do cruzamento de dados entre órgãos de segurança, tribunais de contas e administrações públicas é fundamental para prevenir a infiltração do crime organizado na máquina pública.
As investigações seguem em andamento e não estão descartadas novas fases da operação, com possíveis desdobramentos tanto no âmbito criminal quanto administrativo.
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