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Moraes determina que Hugo Motta dê posse ao suplente de Carla Zambelli em 48 horas

Brasília – 11 de dezembro de 2025
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), dê posse ao suplente de Carla Zambelli, o Coronel Tadeu (PL-SP), no prazo máximo de 48 horas. A decisão foi proferida após o plenário da Câmara ter mantido o mandato da deputada, mesmo após sua condenação criminal com trânsito em julgado.

Moraes classificou a votação parlamentar como “ato nulo por evidente inconstitucionalidade”, afirmando que a Constituição não confere à Câmara poder de escolha política nesses casos: cabe apenas declarar a perda do mandato e não deliberar sobre ela.

Por que Moraes anulou a votação da Câmara

A Câmara votou na noite de quarta-feira (10) se Zambelli deveria perder o mandato, como consequência direta de sua condenação no STF.
O resultado foi:

  • 227 votos pela cassação

  • 170 contra

  • Eram necessários 257 votos o equivalente à maioria absoluta.

Com a cassação rejeitada pelos parlamentares, Moraes interveio. Segundo o ministro, o artigo 55 da Constituição é claro ao prever a perda automática do mandato quando há sentença penal condenatória transitada em julgado.

O ministro decidiu então anular a votação e declarou a imediata vacância do cargo, ordenando que Hugo Motta emposse o suplente em até dois dias.

A decisão será posteriormente analisada pela Primeira Turma do STF, mas tem efeito imediato até nova deliberação.

Quem assume no lugar de Zambelli

O nome indicado para assumir o mandato é o do Coronel Tadeu, também do PL de São Paulo, que já exerceu mandato na legislatura anterior.

A Secretaria-Geral da Mesa deve ser notificada e preparar a documentação para a posse assim que Motta cumprir a ordem judicial.

O que motivou a perda do mandato

Carla Zambelli, que está presa na Itália desde julho de 2025, teve sua situação agravada após:

  • A maioria do STF formar voto pela sua condenação;

  • A confirmação de que houve trânsito em julgado, uma vez que não havia mais recursos disponíveis;

  • A constatação de que a permanência da deputada no cargo violava a Constituição.

Zambelli foi condenada por participação em episódios envolvendo invasão de sistemas do Judiciário, atentados contra o Estado Democrático de Direito e coordenação de ações digitais consideradas ilícitas pelo Supremo.

Reação da Câmara e tensão institucional

A decisão de Moraes reacende o debate sobre os limites das competências do Legislativo e do Judiciário. Setores da Câmara apontaram que a Casa tem autonomia para deliberar sobre cassações. Já o Supremo reafirma que, em casos de condenação criminal definitiva, a perda do mandato é automática.

A determinação em 48 horas impõe pressão direta sobre Hugo Motta, que agora precisa conciliar o cumprimento da ordem judicial com o clima político interno após a votação que contrariou o STF.

Linha do tempo completa do caso Carla Zambelli

2023–2024: Inquéritos e denúncias

  • Zambelli passa a ser investigada em ações do STF ligadas a milícias digitais e ataques institucionais.

  • Em 2024, é denunciada em processos envolvendo invasão a sistemas do Judiciário e coordenação de ações digitais ilegais.

Março de 2025: Julgamento no STF

  • A Primeira Turma inicia o julgamento que pode levar à sua condenação.

  • Votos formados apontam para pena superior a 10 anos de prisão.

Julho de 2025: Zambelli deixa o Brasil

  • A deputada embarca para a Itália dias antes da conclusão do julgamento.

  • Moraes determina sua prisão internacional.

Agosto de 2025: Prisão na Itália

  • Zambelli é detida em território italiano após pedido de extradição do Brasil.

  • STF conclui o julgamento e confirma sua condenação, transitando em julgado.

Setembro a Novembro de 2025: Pressão pela perda do mandato

  • O STF comunica oficialmente à Câmara a condenação definitiva.

  • A Mesa Diretora demora a processar o caso, gerando atritos com o Supremo.

10 de dezembro de 2025: Câmara rejeita a cassação

  • Por 227 votos a 170, os deputados não alcançam o número necessário para retirar o mandato.

  • O resultado gera forte repercussão política e jurídica.

11 de dezembro de 2025: Moraes intervém

  • O ministro anula a votação, declara a vacância do cargo e ordena a posse do suplente.

  • Hugo Motta recebe prazo de 48 horas para cumprir a determinação.

Próximos passos

  • A Primeira Turma do STF analisará a decisão.

  • A Câmara precisará oficializar a posse do Coronel Tadeu.

  • Defesa de Zambelli tenta reverter a perda do mandato, mas enfrenta barreiras constitucionais.

 

 

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Daniel Sousa

Fundador do Alta Cúpula, dedico meu trabalho a trazer notícias e análises sobre política, sociedade e os principais acontecimentos do Brasil. Meu compromisso é entregar informação com responsabilidade, clareza e respeito ao leitor.

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