Nikolas:
O Conselho de Ética da Câmara entrou em uma fase decisiva do processo que mira os deputados Marcel van Hattem (NOVO-RS), Coronel Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC), investigados por participação na ocupação de áreas internas da Casa durante um ato político que tomou corpo de maneira inesperada e gerou tensão institucional.
Nesta semana, os deputados Tenente-Coronel Zucco (PL-RS) e Nikolas Ferreira (PL-MG) foram ouvidos como testemunhas de defesa. O que deveria ser apenas mais uma etapa formal do processo se transformou em um retrato complexo de disputas internas, versões conflitantes e tentativas de reconstrução narrativa por parte dos envolvidos.
Uma sessão marcada por tensão e discurso alinhado
A oitiva durou horas e ocorreu sob clima carregado. Assessores lotaram o corredor, aliados dos investigados pressionavam politicamente, e parlamentares da base governista cobravam respostas duras.
Zucco, o primeiro a depor, sustentou que o episódio teria sido “pacífico” e que os deputados investigados agiram como “pontes” entre manifestantes e a segurança da Casa. Ao mesmo tempo, porém, evitou responder diretamente sobre a cadeia de comando que permitiu a entrada do grupo em áreas restritas um dos pontos centrais do processo.
Já Nikolas Ferreira reforçou a tese de que os colegas “buscaram acalmar a multidão”, mas sua fala foi interrompida diversas vezes por parlamentares do Conselho que cobravam detalhes factuais, horários e registros. Em vários momentos, ele afirmou não se lembrar de informações consideradas-chave pela relatoria.
Relatores e membros do Conselho viram nos depoimentos sinais de alinhamento estratégico, mas também lacunas que podem, paradoxalmente, reforçar a tese de quebra de decoro.
A peça que falta: quem autorizou a ocupação?
A principal pergunta permanece sem resposta: quem deu o sinal verde para que o grupo de manifestantes avançasse por áreas internas da Câmara?
As falas das testemunhas evitaram atribuir responsabilidade direta. Nos bastidores, porém, servidores confirmam que houve pressão de parlamentares para que seguranças afrouxassem o controle, o que será objeto de novas diligências.
Além disso, imagens internas já solicitadas pela relatoria devem ajudar a reconstruir a movimentação dos deputados dentro do prédio no dia da ocupação.
Risco real de suspensão
Apesar da mobilização dos aliados, fontes do Conselho afirmam que o risco de suspensão por quebra de decoro é concreto. A avaliação prévia é de que houve, no mínimo, “conduta incompatível com a atuação parlamentar”.
Uma eventual punição, no entanto, teria impacto político imediato: Van Hattem, Pollon e Zé Trovão atuam como vozes importantes da oposição, e o governo vê na decisão uma oportunidade de estabelecer limites para episódios semelhantes.
Linha do tempo: como o caso evoluiu
📌 1. Ato dentro da Câmara início da crise
Manifestantes entram no prédio da Câmara acompanhados por parlamentares da oposição. A movimentação, inicialmente tratada como ato de pressão política, se transforma em ocupação de corredores internos.
📌 2. Repercussão e pressão pública dias seguintes
Servidores relatam tumulto e obstrução do trabalho legislativo. Partidos da base governista protocolam representações no Conselho de Ética.
📌 3. Conselho de Ética instaura processos semanas depois
As representações são aceitas e passam a tramitar. Relatores solicitam documentos, imagens e depoimentos.
📌 4. Defesa articula testemunhas
Os investigados entregam lista de apoiadores políticos entre eles Zucco e Nikolas para reforçar a tese de que não houve incitação.
📌 5. Depoimentos de Zucco e Nikolas etapa atual
Discursos alinhados e lacunas em pontos-chave marcam as oitivas. Conselho mantém investigação aberta e pedirá novas provas complementares.
📌 6. Próximos passos
A relatoria prepara o parecer preliminar. Caso haja recomendação de suspensão, o processo seguirá para votação no plenário, onde o impacto político será inevitável.
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