Celso Amorim;
O diplomata Celso Amorim atualmente assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
admitiu publicamente, em declaração à coluna do jornalista Igor Gadelha no site Metrópoles, que sabia da viagem do empresário Joesley Batista à Venezuela para se reunir com o ditador Nicolás Maduro.
De acordo com reportagem, Joesley desembarcou em Caracas no dia 23 de novembro e permaneceu menos de 24 horas no país, retornando a São Paulo na noite seguinte. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o objetivo da viagem teria sido tentar convencer Maduro a renunciar ao cargo.
As reações de Celso Amorim
Celso Amorim, no entanto, não quis entrar em detalhes sobre os motivos ou o teor da viagem de Joesley. Ele afirmou preferir evitar especulações.
Sobre a escalada recente de tensões envolvendo a Venezuela com movimentação de navios militares norte-americanos próximos à costa do país o assessor descreveu que vê a situação “com muita preocupação”. Ele advertiu que um eventual ataque seria uma “tragédia” para a região.
“Tenho esperança que haja bom senso e que haja possibilidade de encontrar uma saída, talvez com a cooperação aumentada. Não sei se isso basta para o Trump. Não sei. Só ele pode dizer isso.” declarou Amorim ao Metrópoles.
O contexto diplomático e o papel do Brasil
Celso Amorim já vinha assumindo papel de destaque na política externa brasileira em relação à Venezuela. Ele defendeu que o Brasil mantivesse relações diplomáticas com o país, mesmo sem reconhecer os resultados das eleições recentes, questionadas pela oposição e por diversos governos internacionais.
Segundo ele, os interesses do Brasil envolvem desde a situação dos migrantes venezuelanos até vínculos comerciais e investimentos bilaterais. A estratégia do governo, conforme Amorim, se baseia em três princípios fundamentais: defesa da democracia, respeito à soberania e não-ingerência, e solução pacífica de conflitos.
Também manifestou preocupação com a presença de barcos de guerra dos EUA próximos à Venezuela, defendendo que eventuais ações militares seriam problemáticas e poderiam desestabilizar toda a região sul-americana.
Por que esse caso tem repercutido
Surpresa política: É incomum que um alto assessor da Presidência admita ter conhecimento prévio de uma viagem de um empresário ao regime venezuelano especialmente quando o país está em meio a forte crise diplomática e tensões geopolíticas.
Conflito de interesses: A ligação de Joesley Batista com o grupo empresarial J&F, e o histórico de controvérsias envolvendo a família Batista, gera questionamentos sobre o grau de envolvimento do governo e possíveis impactos diplomáticos.
Pressão internacional: Com a ameaça de intervenção militar externa à Venezuela e uma postura firme dos EUA o papel do Brasil e de seu governo se torna central, inclusive como mediador ou voz responsável na América do Sul.
Credibilidade diplomática: As falas de Amorim colocam o Brasil em uma posição delicada: manter relações com a Venezuela mas sem legitimar formalmente o regime de Maduro, o que exige equilíbrio para não gerar críticas internas ou externas.
O que está em jogo
A imagem internacional do governo brasileiro diante da comunidade global, especialmente se houver escalada militar envolvendo a Venezuela.
A estabilidade regional da América do Sul uma intervenção externa ou escalada de conflito na Venezuela poderia repercutir em fluxos migratórios, segurança na fronteira e relações diplomáticas do Brasil com vizinhos.
A transparência e legitimidade doméstica: a proximidade com uma figura controversa como Joesley Batista pode alimentar críticas sobre eventual influência empresarial ou política paralela por trás das articulações diplomáticas.
O equilíbrio na política externa brasileira: a estratégia de manter diálogo, sem reconhecimento formal de governo, enquanto tenta preservar interesses nacionais e estabilidade regional.
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