CPMI do INSS:
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quarta-feira, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão ocorre em meio ao avanço das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo a concessão de empréstimos consignados e possíveis favorecimentos dentro da estrutura do Instituto Nacional do Seguro Social.
A medida, considerada uma das mais duras dentro do arsenal de poderes de uma CPMI, foi aprovada pela maioria dos membros da comissão. O objetivo é acessar movimentações financeiras, comunicações digitais e informações fiscais que possam esclarecer eventuais condutas ilícitas atribuídas ao empresário e às empresas ligadas ao grupo.
Por que Vorcaro entrou na mira da CPMI
Daniel Vorcaro, que recentemente ganhou destaque nacional após a revelação de que o ministro do STF Dias Toffoli decretou sigilo máximo em um processo que envolve seu nome, agora enfrenta uma nova frente de pressão política. Deputados e senadores apontam possíveis irregularidades na atuação do Banco Master dentro da cadeia de concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas — um setor historicamente marcado por denúncias de abusos, fraudes e lobby agressivo.
Parlamentares afirmam que há indícios de que empresas vinculadas ao banco teriam se beneficiado de decisões internas do INSS e de intermediários do mercado financeiro. A quebra dos sigilos, segundo a relatora, é necessária para mapear relações financeiras, eventuais triangulações e comunicações estratégicas que possam indicar práticas ilícitas.
O que será investigado
Com a quebra de sigilos, os membros da CPMI terão acesso a:
Extratos bancários completos de Vorcaro e de empresas relacionadas
Declarações de imposto de renda, movimentações patrimoniais e dados da Receita Federal
Registros telemáticos, como e-mails, acessos digitais, troca de mensagens e metadados de comunicação
A expectativa é que, com esse material, seja possível identificar o fluxo de recursos, eventuais operações atípicas e a possível existência de uma rede de influência capaz de interferir em decisões do INSS.
Reação da defesa
A defesa de Daniel Vorcaro criticou a decisão, classificando a medida como “desproporcional” e “sem fundamento técnico suficiente”. Advogados afirmam que o empresário está disposto a colaborar e que a quebra de sigilos representa uma tentativa de espetacularização política da investigação.
Clima político
A aprovação ocorre em um momento de forte tensão entre Congresso, sistema financeiro e órgãos de controle. Nas últimas semanas, a CPMI tem ampliado sua lista de investigados e aprovado uma série de requerimentos agressivos, o que demonstra que o colegiado busca aprofundar ao máximo a investigação antes da fase final do relatório.
A decisão também lança luz sobre o crescente desconforto em Brasília com a blindagem judicial atribuída a Vorcaro, especialmente após a determinação de sigilo absoluto dada por Toffoli — ato que gerou críticas de parlamentares e de setores da imprensa.
Próximos passos
Com o acesso aos dados, a equipe técnica da CPMI começará a análise do material, que deve gerar novos desdobramentos nas próximas semanas. Não está descartada a convocação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento novamente, desta vez já sob a perspectiva de uma investigação aprofundada de suas movimentações financeiras e digitais.
A matéria continua em atualização conforme o avanço das apurações.
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